Este blog foi criado para que o Clã 77, do Agrupamento 323 de Santa Eufémia de Prazins,
possa partilhar todas as caminhadas rumo ao Homem Novo

quinta-feira, maio 07, 2009

Jornal Servir - 9ª Edição

Já se encontra disponível o nº 9 do Jornal "SERVIR". Deixamos aqui a capa e lembramos a quem estiver interessado em receber o jornal em casa, que entre em contacto.









Nuno Alvares Pereira, Chefe Militar e Santo Patrono dos escuteiros

Nuno Alvares Pereira venceu as contendas que militarmente dirigiu em Portugal contra as tropas do rei de Leão e Castela, imortalizando-se na batalha de Aljubarrota, no dia catorze de Agosto de 1385 e obtendo do rei D. João o título de Condestável, que significa Comandante Supremo do Exército. Mas este comandante ganhou a última e mais importante batalha no convento da Ordem Carmelita, em Lisboa, onde ingressou com o nome de Nuno de Santa Maria e passou os últimos anos com uma vida humilde e santa.

Morreu com fama de santidade no domingo de Páscoa do dia 1 de Abril de 1431, começando a ser invocado pelo povo com o nome de Santo Condestável. O Papa Bento XV reconheceu-lhe virtudes de vida exemplar e proclamou-o Beato no dia 23 de Dezembro de 1918 e o Papa Bento XVI proclamou-o santo no domingo dia 26 de Abril de 2009, tendo sido inscrito no Álbum dos Santos da Igreja com o nome de São Nuno de Santa Maria Alvares Pereira.

Nuno Alvares Pereira nasceu no dia 24 de Junho de 1360, em Cernache do Bonjardim, filho do cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém fr. Álvaro Gonçalves Pereira e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Teve a educação cavalharesca típica dos filhos das famílias nobres. Aos treze anos era pagem da rainha D. Leonor. Por vontade do pai, casou aos dezasseis anos com a jovem e rica viúva D. Leonor de Alvim, da qual nasceram três filhos, dois do sexo masculino que morreram prematuramente. A filha Beatriz casou com D. Afonso, primeiro Duque de Bragança.

No dia 23 de Outubro de 1383 morreu o rei de Portugal D. Fernando. A única filha de D. Fernando tinha casado com o rei de Leão e Castela. O irmão de D. Fernando, D. João, Mestre de Avis, apoiado por outros nacionalistas entre os quais Nuno Alvares Pereira, queria manter a coroa lusitana independente de Leão e Castela. Nuno conduziu o exército português com vitórias sucessivas. Os seus dotes militares eram acompanhados por uma espiritualidade vivida profundamente e transmitida aos seus militares. Participava diariamente na santa Missa e distinguia-se pela devoção à Eucaristia e a Nossa Senhora. O seu estandarte tinha as imagens de Jesus Crucificado, de Maria Santíssima e dos cavaleiros São Tiago e São Jorge.

A sua esposa morreu em 1387, quando Nuno tinha apenas vinte e sete anos de idade. Não procurou casar. Levando uma vida exemplar, dedicou-se ao seu trabalho, ao cuidado da família e dos mais necessitados. Em 1423, aos 63 anos de idade, ingressou no convento carmelita que ele mesmo tinha ajudado a fundar e no qual entregou a sua alma ao Criador com fama de santidade.
O nome do herói e santo de Portugal Nuno de Santa Maria Alvares Pereira foi inscrito no Álbum dos Santos da Igreja por mandato do Papa Bento XVI, no domingo 26 de Abril, no curso de uma cerimónia inesquecível sobre tudo para os portugueses que nos encontrávamos na Praça de São Pedro da Cidade do Vaticano, juntos com o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa D. Jorge Ortiga, o Sr. Cardial Patriarca de Lisboa D. Policarpo José da Cruz, bispos, sacerdotes, religiosas e religiosas, particularmente carmelitas, escuteiros e muitos fiéis vindos das diversas dioceses lusitanas, que, de vez em quando soltavam ao vento a bandeira das cinco quinas. O senhor Presidente da República estava representado por um enviado especial e o Governo pelo Ministro dos Negócios estrangeiros e pelo Embaixador de Portugal junto da Santa Sé. Destacavam-se D. Duarte, Duque de Bragança, acompanhado pela sua distinta família, representantes da Ordem Militar de Malta e Oficiais do exército português.

Às nove e meia horas da manhã de domingo 26 de Abril, preparando-nos para o início da cerimónia de canonização, estávamos na encantadora e belamente adornada Praça de São Pedro, coberta de pesadas nuvens azul escuro, que, movidas pelo vento norte, se uniam e anunciavam chuva. Abriram-se guarda-chuvas aqui e além, onde a água do alto batia suavemente. Eu encontrava-me entre os que não estavam prevenidos. Pouco depois as nuvens levaram a água para terras mais necessitadas e deixaram-nos um clima ameno, propício, convidativo ao recolhimento, à oração, à união com o Crucificado Ressuscitado, com Santa Maria e com São Nuno de Santa Maria. A cerimónia foi preciosa. Descrevê-la, requereria outro espaço, mas não poderia deixar de citar as significativas palavras pronunciadas por Sua Santidade Bento XVI na homilia sobre o nosso herói e santo: “Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença de uma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélica, é possível actuar e realizar os valores e princípios da vida cristã, sobretudo se esta é colocada ao serviço do bem comum e da glória de Deus”.

+ M. Monteiro de Castro

Arzobispo titular de Benevento
Nuncio Apostólico de España e Andorra